Este blog é uma reunião de textos exclusivamente autorais. Para conhecer mais de mim, dividir sons e sabores poéticos, musicais, cinematográficos, e tantos outros cheiros mais além dos meus, venha tomar um expresso esparramado nas almofadas fofas do meu outro blog, o Abundante-mente. Te espero lá com as velas acesas.

6 de abril de 2010

Desregulado

Você já me disse que seu coração não mora mais nas entrelinhas - anda meio cansado, desritmado - me lembro bem. Desculpe a falta de conhecimento, meu amigo, mas não tenho mesmo a mínima ideia do que é viver assim; nem se dói, ou quanto. Se é pouco ou além-mar. Sinto muito não poder ajudar. Sabe, o meu coração também muitas vezes me é inútil -  esse músculo frenético, que dispara vez ou outra sem qualquer explicação - mas uma coisa é fato: ele respira fundo os não-ditos. Todos eles, sem distinção. Me alivia bastante não ter que ficar sinalizando a toda hora o que é pra sentir, e o que merece descaso. Ele sabe. E sabe bem, o filho-da-mãe - às vezes até me confunde. Dia desses, por exemplo, andou me brotando sem muita razão. Acredita que anteontem enfiou-me lágrimas nos olhos quando sentiu um abraço de irmãos? Talvez seja hora de ir a um cardiologista averiguar a presteza da bomba, ela deve andar meio entupida, pra vazar assim sem mais nem menos. De qualquer maneira é melhor pulsar desse jeito, meio desregulado, que passar a vida toda empedrado, não é não? Você poderia experimentar um pôr do sol qualquer dia, uma flor na sua inteireza, ou a simples delicadeza de um sorriso de criança. Vai que o danado resolve voltar a bater?


Sylvia Araujo

6 comentários:

L.M. disse...

Fico completamente bobo com o que escreves. Que coisa linda. Nossa!
Olha, se vale dizer, meu coração é igual ao seu. HAHAHAHAHA

Parabéns pelos textos,
B.

Ps:. Vou mandar esse para a Rosa, aquela coração de pedra. tsc
HAHAHAHAHA

Cynthia Lopes disse...

Sylvia,
Esta sua casa de prosa&verso, muito linda e completa, agora dá vazão ao coração. Muito bom o texto e especial conselho, afinal corações empedrados, têm seus olhos fechados a toda a beleza.
E isto significa uma perda irreparável.
bjs

Mai disse...

Quem sabe o sorriso de uma criança permita que o coração bata compassado...

abraços

Livinha disse...

Armadura, trancafiado dentro do si mesmo, sequer olha ao coração do outro...
Esses corações orgulhosos, sofrem mas não dão a frente pra bater, por isto se recolhem e que se dane o resto...

Lindo texto minha amiga

Bjs
Livinha
=)

Valéria Gomes disse...

Falou e disse, Silvinha!!!
O meu, também me prega algumas peças. Sabe que outro dia, me debulhei em lágrimas assistindo "Patinho feio"!

Beijos no coração!!!

Elis disse...

Simples! E assim ficou tão bom de ler!
Abraço
Elis